Comumente, é muito mais falado sobre o autismo na infância e no início da adolescência. Isso ocorre, pois trata-se do melhor momento para o diagnóstico e iniciar o “tratamento” do transtorno. Mas não podemos esquecer que as crianças com autismo também crescem e, os transtornos as acompanham, trazendo a cada dia um novo desafio.

A pergunta que fica é: por que as pessoas abordam tão pouco esse assunto e, muitas vezes, o esquecem?

Neste texto, te convido a refletir sobre o TEA além da infância.

Autismo em Adultos: Uma realidade silenciada?

A vida adulta e o autismo

Por que as discussões sobre autismo estão tão focadas na infância? Esta é uma pergunta que precisamos fazer não apenas no mês de conscientização sobre o TEA, mas também diariamente.


Como se trata de um transtorno mais facilmente observado em crianças, campanhas e ações voltam-se, em sua maioria, para a infância e para o desenvolvimento físico e cognitivo. Enquanto isso, a sociedade negligencia o autismo na vida adulta.

Porém, os desafios enfrentados pela pessoa autista não somem com o tempo. E sem o acompanhamento e o suporte necessários diante as tarefas do dia a dia, vida profissional e acadêmica diversas atividades podem ser prejudicadas, tais como manter relacionamentos, concluir um curso superior, ou se inserir no mercado de trabalho.

A importância de ter um diagnóstico de autismo em adultos

Quanto mais cedo o diagnóstico melhor, no entanto, mesmo que tardio, ainda é de suma importância e pode ser um divisor de águas.

Esse diagnóstico na idade adulta pode ocorrer por diversos motivos, como falta de informação, acesso limitado a profissionais especializados ou até mesmo por preconceitos e estigmas associados ao transtorno. Além disso, muitos adultos desenvolvem estratégias para mascarar seus comportamentos ao longo dos anos, o que pode dificultar ainda mais a identificação do TEA, principalmente em mulheres. Esse “camuflar” social pode fazer com que o sofrimento interno passe despercebido por familiares, amigos e até profissionais da saúde.

Identificação, autoconhecimento e o autocuidado

A falta de diagnóstico, pode gerar, durante o crescimento, muita angústia para o indivíduo. Isso acontece porque, ao se comparar com colegas, amigos e familiares, a pessoa percebe que é diferente, mas não consegue explicar exatamente o porquê.

Por isso, a avaliação profissional e a identificação do transtorno do espectro autista ajudam o indivíduo a compreender melhor a si mesmo, por meio do reconhecimento de aspectos relacionados às habilidades sociais, à comunicação, à sensibilidade sensorial e aos padrões de comportamento.

Esse entendimento abre caminho para o autoconhecimento, promovendo melhora na autoestima e na autoconfiança. A pessoa passa a se enxergar com mais clareza e a respeitar seus próprios limites, exercitando o autocuidado e respeito.

Construindo e fortalecendo as relações interpessoais

As relações interpessoais, que geralmente são um desafio, tendem a tomar uma nova forma após o diagnóstico. Para muitos adultos autistas, interações sociais podem ser desafiadoras, especialmente quando envolvem comunicação não verbal, interpretação de emoções e adaptação a diferentes contextos sociais.

Porém, com o suporte adequado, é possível desenvolver estratégias para lidar melhor com essas situações e tornar as relações mais saudáveis e satisfatórias.

Outro benefício do diagnóstico para a construção de interações sociais mais satisfatórias é que ele ajuda familiares, amigos e parceiros a compreenderem melhor o comportamento da pessoa, promovendo empatia e fortalecendo os vínculos.

Além do autismo em adultos: os transtornos que podem acompanhar a vida da pessoa autista

Ser uma pessoa dentro do espectro autista sem acompanhamento adequado pode contribuir para o desenvolvimento de outros transtornos psicológicos, como ansiedade, depressão e até síndrome de burnout.

Isso acontece, muitas vezes, devido à constante tentativa de se encaixar em padrões sociais que não condizem com sua forma de perceber o mundo.

Com o diagnóstico e o tratamento adequado feito por profissionais qualificados, é possível reduzir essas comorbidades e melhorar a qualidade de vida do indivíduo. Acompanhamento psicológico, terapêutico e , em alguns casos, intervenções médicas podem melhorar o bem estar proporcionar maior equilíbrio emocional.

Outros desafios

Os desafios enfrentados por adultos com autismo vão além das dificuldades sociais. A  dificuldade em lidar com mudanças, excesso de estímulos sensoriais e comunicação pouco clara pode transformar o ambiente de trabalho em um local pouco acolhedor e cheio de barreiras.

O preconceito também é uma questão que gera grande impacto no dia a dia. A falta de informação sobre o autismo em adultos faz com que muitas pessoas interpretem esses indivíduos de forma equivocada, considerando-os, em muitos casos, desinteressados, frios ou pouco colaborativos, quando, na verdade, eles apenas lidam com suas próprias dificuldades internas.

A importância da inclusão

Falar sobre autismo em adultos também é falar sobre inclusão. É fundamental que empresas, instituições de ensino e a sociedade em geral estejam preparadas para oferecer ambientes mais empáticos, acessíveis e plurais, que deem a pessoa mais que acolhimento, mas também liberdade, autonomia e respeito .

Pequenas adaptações podem fazer uma grande diferença, a diminuição dos estímulos sensoriais nos espaços, uma comunicação mais direta e clara e a maior flexibilidade em rotinas.

A inclusão não beneficia apenas a pessoa com autismo, mas empresas, famílias e toda a sociedade, que passa a se tornar mais diversa e empática.

Porque falar sobre o autismo em adultos?


Falar sobre o autismo em adultos é essencial para dar visibilidade a uma realidade ainda pouco discutida. O diagnóstico tardio não deve ser visto como um problema, mas sim como uma oportunidade de transformação.

Através da informação confiável, apoio profissional, inclusão e empatia, é possível construir uma sociedade mais preparada para acolher as diferenças e valorizar cada indivíduo em sua singularidade.

O autismo em adultos existe, é real e precisa ser reconhecido!

Quanto mais falarmos sobre o tema, mais pessoas poderão se identificar, buscar ajuda e encontrar caminhos para uma vida com mais qualidade, respeito e compreensão.

Um papo que caminha junto da Benu

A Benu nasceu da necessidade de uma mãe de uma criança neurodivergente e a partir do crescimento dessa criança, tornou-se evidente a importância de um acompanhamento mais próximo durante a adolescência e, posteriormente, na vida adulta. Diante disso, criaram uma linha totalmente voltada para esse público, com o objetivo de oferecer suporte por meio da integração sensorial e de outras intervenções específicas para adolescentes e adultos com autismo, contribuindo para tornar o desenvolvimento dessas pessoas mais leve e tranquilo.

Conte com a Benu para fazer da sua trajetória de vida mais inclusiva, seja você TEA ou não.

O papel do Terapeuta ocupacional nessa jornada

Fala-se muito sobre o diagnóstico tardio de pessoas neurodivergentes e sobre o quanto isso impacta o dia a dia. Mas quase ninguém toca em um ponto incômodo: a resistência de muitos terapeutas ocupacionais em atender adultos com TEA  justamente porque dá mais trabalho, exige mais preparo e tira o profissional da zona de conforto.

Diante disso, de que adianta todo o discurso de apoio e conscientização sobre o autismo na vida adulta, se na prática ainda faltam profissionais dispostos e capacitados para estar ali? É preciso encarar a realidade: terapia ocupacional não é ou pelo menos não deveria ser  um serviço exclusivo para crianças com TEA. Adultos e adolescentes também precisam de suporte. E mais do que isso, precisam de profissionais que não virem o rosto diante do desafio.

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